Romance e vida

Acabo de assistir “José e Pilar”, filme/documentário sobre a vida de José Saramago e sua esposa, Pilar del Río. Filme esse que assisti por indicação da Nina, do blog Sobre Fatalismos (um beijo pra ti, e obrigada!).
Da obra de Saramago, li apenas Ensaio Sobre A Cegueira e alguns páginas de Intermitências da Morte, portanto não sou a mais indicada para falar de peito cheio alguma coisa que venha a acrescentar sobre o autor, fora sobre o pouco que conheço. Mesmo assim, me apaixonei pela escrita dele e o modo como é complicado (no sentido de custoso, por ter uma narrativa diferente do que estou acostumada) e ao mesmo tempo hipnotizante. Começa a ler um parágrafo e só vai.
Mas enfim, como eu ia falando, vi esse documentário e me lavei em lágrimas. Não sei se conseguirei olhar da mesma maneira essas comédias românticas que trazem o amor para as telas de forma tão besta se eu ficar comparando a esse filme. É bonito, é natural, é verdadeiro. Para falar de uma forma resumida o que o filme passa nessas duas horas e um pouquinho, cito (talvez não exatamente, porque digo isso de memória agora) uma fala que José diz a um jornalista e depois a repete para sua mulher: Eu tenho ideias para romance, Pilar tem ideias para a vida. O escritor é o lado romântico do casal (não que, de certa forma, ela não seja, mas fica mais evidente nele). A mulher é a parte forte, a base. É ela quem organiza a agenda lotada do marido, que o motiva a continuar trabalhando mesmo debilitado devido a saúde já frágil por causa da idade avançada.
Tem muita coisa para falar sobre, muito detalhe que amei, mas que, ou não sei traduzir em palavras, ou não me vem direito à memória agora. Mas bem, acho que não importa muito o que digo ou deixo de dizer. É lindo e é isso que tá valendo.

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore: mais um curta-metragem, mas dessa vez esse é uma animação. E uma linda animação <3. É mais ou menos assim: um rapaz estava em seu apartamento na varanda escrevendo no caderno (o que talvez um dia fosse ser um livro). De repente, surge uma tempestade e leva tudo no vilarejo, literalmente tudo, casas, prédios, o que for que tivesse (uma coisa meio O mágico de Oz). Ventania para, tudo se assenta, e o jovem rapaz percebe que tudo o que ele havia escrito no caderno havia sumido. Desolado, resolve caminhar por esse lugar onde caiu. Descobre uma biblioteca, onde é acolhido pelos livros (sim, isso mesmo, os livros são praticamente pessoas, só que em formato de livro, oi). Acho que é mais válido assistir o curta do que ler eu tentando explicar o que é.
Um cão andaluz (Un Chien Andalou): é um curta-metragem de 1928, e é um marco do surrealismo. Eu não saberia muito bem dizer sobre o que é esse filme, porque isso não fica nem um pouco claro. Segue mais ou menos a lógica dos sonhos – ou seja, não há lógica, mas tentamos encontrar. As cenas são simplesmente soltas, tu não faz a menor ideia do que pode acontecer no próximo momento. Como é um curta-metragem, é, obviamente, bem curto, ou seja, dá pra ver pelo YouTube mesmo. (Assista aqui acima, e tire suas próprias conclusões, rs).




